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Para o mercado financeiro pesquisa incentiva na margem, mas contraditórios pesam!

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O mercado financeiro após o impacto de excessiva repercussão do resultado da eleição presidencial no 1º turno, em especial na segunda feira, sinaliza ter afastado a emoção e assumido postura mais alinhada com a razão, portanto com comportamento mais sensato e melhor alinhado com a realidade.

Se os indicativos sinalizam maior probabilidade de vitória do candidato Bolsonaro, como confirmado ontem na pesquisa DATAFOLHA, por outro lado ainda permanece intacta a deletéria situação da atividade econômica brasileira, seu déficit fiscal, elevado desemprego, queda de renda, queda de consumo, etc... cujo “status quo” é o foco e são os desafios mais perceptíveis para o novo presidente e que estão presentes, tanto quanto antes e carentes de linhas programáticas de gestão por parte dos candidatos ao poder executivo.

Desta forma, após o euforismo foi restaurada a sensatez e, embora com otimismo, não é recomendável excessos no comportamento dos segmentos do mercado financeiro, mais tão somente viés positivo.

Embora pró mercado, este (o mercado) tem visto com certa reserva as resultantes das pesquisas eleitorais que já vinham sido acometidas de relativa descrença, fato que se acentuou com disparidades identificadas no confronto com os resultados efetivos do 1º turno. Ademais é notória a fragilidade das lideranças partidárias dos partidos que colheram insucesso e as suas baixas capacidades de influenciar o eleitorado.

Relevante neste momento, em que vão se fortalecendo as perspectivas de que o candidato Bolsonaro seja o próximo Presidente, é o foco sobre os sinais que o próprio e seus assessores emitem sobre medidas e ações em torno do quadro econômico brasileiro.

Foi desastroso para o otimismo predominante no mercado, já com características de maior sensatez, a declaração em torno da Eletrobrás, revertendo a expectativa de privatização.

A B3 então fez meia volta e repercutiu o desapontamento dos investidores, de certa forma retroagiu para parâmetros mais adequados no momento, mas pode retomar o ânimo hoje após o ajuste pontual de ontem.

Não imaginamos que sofra efeitos colaterais do mercado externo, onde a NASDAQ sinalizou forte ajuste e até possibilidade de mantê-lo repercutindo efeitos da elevação de juro americano, mas também o fato de ter nos últimos 10 anos crescido o equivalente a 6 vezes.

Para se ter uma ideia, a DJ no mesmo período cresceu 3 vez e a nossa B3 tem hoje, em dólares, o mesmo valor de 10 anos atrás.

No câmbio houve o esvaziamento absoluto do movimento especulativo instalado por total falta de fundamentos, o que era previsível independente deste ou aquele candidato que galgar a Presidência, visto que o país não tem problemas, por mais contraditório que possa parecer, na questão cambial, estando imune a crise neste quesito.

O otimismo provocou o ajuste mais rápido e até mais intenso do que prevíramos, pois nossa projeção era de R$ 3,90 antes da eleição e R$ 3,80, que consideramos a taxa de equilíbrio, para logo após a eleição. A precipitação gerada pelo desconforto dos investidores, em sua grande maioria estrangeiros, com suas posições "compradas não hedge” em dólar futuro sob o risco de perda muito rápida pela apreciação do real que os levou a reverter estas posições forçou a queda com maior intensidade do preço da moeda americana, conduzindo-a às proximidades de R$ 3,70, que neste momento consideramos muito baixo.

No momento, embora continuemos considerando R$ 3,80 a taxa de equilíbrio, o que se constata é a flutuação do preço na zona de conforto entre R$ 3,70 a R$ 3,80, com presença de um comportamento de “efeito gangorra”, visto que há posicionamentos de “comprados” (predominantemente estrangeiros) e “vendidos” (predominantemente fundos e bancos) em torno de US$ 40,0 Bi.

Ocorre que os “vendidos” tem interesse em apreciar o real o que lhes favorece e assim pressionam nesta linha, enquanto os “comprados” buscam dar sustentação e quando o preço tende a se aproximar de R$ 3,70, que consideramos um piso já bastante baixo para o contexto Brasil, os “comprados” entram e compram mais para melhorar o preço médio dos seus estoques. Então, a flutuação ocorre no intervalo R$ 3,70-R$ 3,80, indo e vindo, tal qual uma “gangorra”, por razões muito claras.

Esta situação do câmbio que deve perdurar, poderá determinar mudanças nas projeções do Boletim FOCUS, a ser divulgado na segunda dia 15, reduzindo a projeção do preço do dólar de R$ 3,89 para algo como R$ 3,80, como já o foi anteriormente, mas também com impactos nas projeções do IPCA, que poderá ter atenuados os efeitos na curva que estava ascendente, e aumentar a convicção de que a SELIC será mantida até o final do ano.

O mês de outubro começou com o fluxo cambial positivo de 1 a 5 positivo, anterior, portanto, às eleições, apontando líquidos US$ 3,083 Bi resultante de fluxo financeiro positivo de US$ 3.497 Bi e comercial negativo de US$ 414,0 Mi. No ano o fluxo cambial está positivo em US$ 21,123 Bi com fluxo comercial positivo em US$ 36,629 Bi e financeiro negativo em US$ 15,506 Bi. Os bancos que viraram o mês registrando posição vendida de US$ 5,876 Bi, com suporte de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra do BC de US$ 2,150 Bi, portanto posição vendida líquida efetiva de US$ 3,726 Bi com o fluxo positivo da primeira semana de outubro a reduziram para vendida líquida de US$ 643,0 Mi.

Tudo leva a crer que na semana de 8-11 o resultado do fluxo financeiro positivo seja expressivo, refletindo o impulso dado pelo resultado do 1º turno das eleições presidenciais alinhado com as expectativas do mercado financeiro.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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