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Tensão amenizada na política não promove fundamentos às perspectivas econômicas!

 

Aparentemente a divulgação do vídeo da famigerada reunião ministerial do dia 22, afora outras considerações, amenizou a tensão política pontual envolvida, mas nem de longe trouxe qualquer conforto ao ambiente interno do país, que perdura conturbado no campo político, jurídico, da saúde e da economia.

A dicotomia entre saúde e economia perdura viva e, numa visão mais crítica, se acentuando na medida em que não há tendência à convergência e sim a permanência do conflito entre as partes envolvidas.

Nada foi alterado de forma que se vislumbre imediata mudança nas perspectivas para o país, nem na saúde nem na economia, no curto prazo.

A crise da pandemia do coronavírus persiste tão “viva” quanto antes e ainda mantém viés de agravamento, nem mesmo sabemos se estamos próximos do pico, e, a despeito do intenso anseio não há conformidade quanto à retomada, ainda que lenta e gradual, da atividade econômica, que pelo desalento pode ocorrer de forma rebelde e desorganizada.

Portanto, há pouco ou quase nada para que se tenha uma mudança de percepções em torno do Brasil e consequente comportamento da B3 e em relação ao preço do dólar, a despeito do país ter considerável volume de reservas cambiais.

Fácil identificar que há promoção de um conveniente “contágio” dos fatos positivos em algumas economias relevantes, que por vezes tem frágeis canais de sinergia com nossa economia, e que são “capitalizados” por aqui para criar um falso otimismo, certamente insustentável, mas que impacta na formação do preço das ações e do dólar.

As projeções do Boletim Focus se não tão assertivas em números dada a insegurança e indefinição de perspectivas confiáveis indicam o viés da tendência esperada.

O IPCA (inflação) para 2020 está previsto no intervalo de 1,53% a 1,58%; a queda do PIB em -5,89%; o dólar a R$ 5,40 e a SELIC 2,25%.

A inflação parece ter uma má captação de dados no varejo, onde a cesta básica apresenta forte encarecimento, mas faz crescer as pressões do COPOM realizar mais um corte na SELIC atual conduzindo-a a 2,25%.

Há uma corrente que já considera errática a tendência de corte do juro, dada a inutilidade e por outro lado por aniquilar eventual atratividade do país ao capital estrangeiro. E, neste aspecto lançam observação ao que acontece no México, pois aqui se reduz o juro e com isto se pressiona a taxa do dólar e como consequência o BC vende dólares para liquidez à vista ou swaps no mercado futuro para hedge e não se sai do lugar.

O que passa a ser percebido é que o fluxo de saídas de recursos estrangeiros perde intensidade, mas nem por isto tem sido atenuada a necessidade do BC manter-se atuante na intervenção, e envolvido nesta “roda viva” do corte do juro e alta do dólar cria um ambiente em que desperta nova demanda de “hedge” para o patrimônio e que decorre da insegurança e perda de credibilidade do país, agregada a frágil situação fiscal do país e falta de direcionamento uniforme para o efetivo enfrentamento da pandemia e ordenamento da reabertura econômica, tornando o ambiente prospectivo bastante nebuloso.

Na realidade, não se espera desindustrialização/desinvestimento por parte das empresas estrangeiras, mas muito factível que intensifiquem a proteção dos patrimônios através “hedge” e isto impactará na formação do preço da moeda americana.

Então, o ambiente é sugestivo de apreciação do dólar frente ao real, até porque não há menor expectativa de que os investidores estrangeiros retornem com seus capitais ao Brasil no curto/médio prazo.

O BC está tentando induzir o preço à apreciação do real operando “no discurso” que poderá intervir, etc. e tal, mas isto sabidamente é retórica e de baixo alcance, pois ainda há algum tempo recente atrás, quando Ilan Goldjan era Presidente do BC, se fez uma venda “monstro” de swaps e se alcançou baixo efeito.

O único setor dinâmico da economia brasileira é e continuará sendo o agro, todos os demais quando forem retomados deverão ter recuperação muito lenta, até porque o pode de demanda da população estará muito fragilizado e o emprego tende a se revelar mais expressivo do que antes da pandemia.

Este cenário atual e prospectivo recomenda muita atenção nas atuações na B3 e com o dólar que se insinua em depreciação, mas tem ainda grande espaço e motivos para apreciação.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

Cotações de Moedas em Tempo Real



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Radar NGO

Fluxo cambial ao Brasil fica positivo em US$1,898 bi na semana passada

 

"As exportações do agronegócio estão firmes ao mesmo tempo que são reduzidas as saídas de recursos do país dada a exaustão dos mesmos."

O fluxo cambial ao Brasil ficou positivo em 1,898 bilhão de dólares entre 11 e 15 de maio, mostraram dados do Banco Central nesta quarta-feira, o que elevou o superávit no mês para 2,337 bilhões de dólares.

Na semana passada, a conta comercial teve sobra de 1,943 bilhão de dólares, enquanto as operações financeiras --que vinham mostrando fortes saídas de recursos-- contabilizaram discreto déficit de 46 milhões, contra saída líquida de 791 milhões na semana anterior…

Leia a matéria na fonte: br.investing.com/fluxo-cambial-ao-brasil-fica-positivo


Fonte: Investing.com
Publicado: 20 de maio de 2020

Dólar abre em queda, ante esperança de nova vacina contra novo coronavírus

 

Nas últimas semanas, dólar tem sofrido sucessivas quedas após ter atingido recorde de fechamento nominal de R$ 5,84

O dólar abriu em queda superior a 1% nesta terça-feira, 26, atingindo valor mínimo de R$ 5,3672 instantes após o início das negociações. O ritmo segue o clima de otimismo dos principais mercados internacionais diante da perspectiva de uma possível vacina contra o novo coronavírus. Às 9h04, a moeda norte-americana era cotada a R$ 5,3782.

Nas últimas semanas, o dólar tem sofrido sucessivas quedas após ter atingido o recorde de fechamento nominal (quando não se desconta o valor da inflação) de R$ 5,84. A Bolsa apresenta recuperação gradual após ter fechado o mês de abril no patamar de 79 mil pontos.

 

Cenário de negócios

O mercado de câmbio pode voltar a operar o dólar em baixa em meio ao apetite por ativos de risco predominante no exterior e um alívio na tensão política local provisoriamente. A esperança com mais uma vacina experimental contra a covid-19 volta a impulsionar o petróleo e as bolsas europeias, enquanto os índices futuros de Nova York exibem fortes ganhos, após o feriado de segunda nos EUA, e o dólar recua ante divisas principais e emergentes ligadas a commodities.

Os investidores devem monitorar, nesta terça, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, que recuou 0,59% em maio, a maior deflação desde o início do Plano Real. Além disso, vão aguardar e os dados do setor externo do país, além de uma videoconferência do ministro da economia, Paulo Guedes, com os presidentes do Banco Central (BC), Caixa, Banco do Brasil e BNDES. Ficam no radar ainda o empresário Paulo Marinho, que prestará depoimento na Superintendência da PF no inquérito contra o presidente Jair Bolsonaro, além do procurador-geral da República, Augusto Aras, que pode pedir novas diligências no inquérito contra Bolsonaro ou já decidir se arquiva ou não o processo. A Indicadores dos EUA, como o índice de confiança do consumidor, podem mexer ainda com os ativos financeiros.

O economista Sidnei Nehme, da corretora NGO, avalia que, aparentemente a divulgação do vídeo da reunião do dia 22 de abril, afora outras considerações, amenizou a tensão política pontual envolvida, mas nem de longe trouxe qualquer conforto ao ambiente interno do País, que perdura conturbado no campo político, jurídico, da saúde e da economia. A dicotomia entre saúde e economia perdura viva e, numa visão mais critica, se acentuando na medida em que não há tendência à convergência e sim a permanência do conflito entre as partes envolvidas, afirma.

Nehme observa que o fluxo de saídas de recursos estrangeiros perdeu intensidade, mas nem por isto tem sido atenuada a necessidade do BC manter-se atuante na intervenção, e envolvido nesta “roda viva” do corte do juro. Ele diz que não se espera desindustrialização ou desinvestimento por parte das empresas estrangeiras, mas é muito factível que intensifiquem a proteção dos patrimônios através “hedge” e isto impactará na formação do preço da moeda americana. “O dólar passa por depreciação, mas tem ainda grande espaço e motivos para apreciação ante o real”, comenta o economista. Além disso, diz que não há menor expectativa de que os investidores estrangeiros retornem com seus capitais ao Brasil no curto e médio prazo.

Fonte: Jornal de Brasília
Autor: Redação com Estadão Conteúdo
Link: jornaldebrasilia.com.br/dolar-abre-em-queda-ante-esperanca-de-nova-vacina-contra-novo-coronavirus/
Data de publicação: 26/05/2020

“Comprados” em dólar futuro reduzem posições! Há dúvidas sobre redução da Selic?

O movimento de venda dos “comprados” no mercado futuro rompeu a estratégia do BC de ancorar a taxa do câmbio relativamente depreciada ante o dólar com a oferta de swaps cambiais reversos, e isto acabou por promover forte apreciação do real, e o fato provoca novas ilações em torno do comportamento do preço da moeda americana.

O entendimento que temos desenvolvido até anteontem era de que o BC atuando com foco na liquidez do mercado à vista, com venda de dólares efetivos das reservas brasileiras, combinado com a oferta casada de swaps cambiais reversos, vinha ancorando a formação do preço da moeda americana conduzindo-a em níveis acima do que se poderia considerar ponto de equilíbrio, e, com isto evitar disfuncionalidades no mercado de câmbio e no cupom cambial, e, desta forma, não ter situação adversa para consolidar a redução da taxa SELIC, coerente com os mais recentes indicadores inflacionários, com foco no estímulo ao setor privado para investimentos e retomada da atividade econômica.

Contudo, o movimento dos “comprados” reduzindo suas posições no mercado de dólar futuro causou estranheza no primeiro momento, parecendo ir frontalmente contra os objetivos pontuais do BC.

Entretanto, por enquanto pura ilação, pode ser que no momento em que os BC´s mundiais buscam alterar suas políticas de juros e QE´s e que entre tantos objetivos econômicos, tem à margem a busca da fragilização das suas moedas para aumentar suas competitividades no mercado internacional, criando portanto perspectivas de valorização das moedas emergentes, o movimento dos posicionados “comprados” de “desmonte” de posições compradas esteja procurando se antecipar aos fatos, que acredita factíveis.

Mas para que isto “feche” como reação e não seja contraditória é preciso agregar a hipótese de que, ao momento em que a grande maioria de BC´s reduzirá suas taxas de juros, aqui incluindo o FED americano, possa estar sendo colocada no nosso mercado a hipótese do BC/COPOM não reduzir a taxa SELIC na próxima rodada, decisão tida como quase certa, e com isto focar a viabilização neste novo cenário com afastamento das taxas de juros internas e externas e, então, a partir dos novos parâmetros os investidores estrangeiros especuladores retomarem a prática de efetivar operações de “carry trade” em busca de rentabilidade, e com isto ocorrer uma melhora substantiva no fluxo cambial positivo.

A rigor, “lato sensu”, a tese de que uma taxa SELIC menor é indutora ao investimento pelo setor privado é frágil, e, nem mesmo que poderia estimular o consumo, visto que o repasse das reduções não tem sinergia com as taxas de juros ofertadas no Brasil para o consumo de varejo. Então, embora houvesse a expectativa de uma “grita geral” do mercado financeiro, no primeiro momento, posteriormente com as consequências focadas haveria a retomada do otimismo no mercado financeiro, com o Brasil retomando seu papel no cenário global de país rentistas e especulativo.

Por enquanto, até melhor entendimento do movimento de forte “venda” por parte dos “comprados” no mercado futuro de dólar, não se pode descartar hipóteses factíveis que possam estar determinando a postura reversiva por parte dos mesmos.

A cena econômica e financeira do mundo global está muito complexa e, embora os emergentes não sejam as “estrelas” não podem ficar inertes e precisam utilizar suas estratégias defensivas para poder evitar os impactos dos embates em que todos procurar reerguer suas atividades econômicas, e neste jogo, câmbio e juros serão sempre instrumentos prevalecentes, afora outros incentivos.

Afinal, não é adequada a ideia de que o BC fique fornecendo liquidez ao mercado à vista e ofertando swaps cambiais reversivos por longo período, devendo ocorrer uma solução “natural de mercado” para que este quadro de intervenção do BC seja superado.

Á margem do embate China-USA o Brasil precisa encontrar meios e formas de superar suas carências pontuais.

O país tem uma deficiência na atualidade, baixa atratividade para o investidor estrangeiro pela fraca atividade econômica e, perda também de interesse do investidor estrangeiro rentista e especulador pela inviabilidade de realização das operações de “carry trade” que lastreiam os recursos para o fluxo cambial para o país.

A primeira não há como superar no curto prazo, embora o país esteja na direção certa, mas de forma absolutamente lenta, mas a segunda pode ser superada com estratégia fazendo a opção pelo que é mais oportuno para o país no momento.

A cena global é no momento um grande tabuleiro de xadrez, cabendo a cada país mexer suas pedras dentro da sua conveniência mais imediata para se adequar ao convívio com a situação atual.

Assim, não reduzir a SELIC pode ser uma opção melhor para o Brasil “vis-a-vis” suas demandas mais imediatas.

Como temos dito, nesta fase “cada dia é um dia” e é preciso observar sempre, nenhuma hipótese pode ser descartada.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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