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Preço do dólar em alta promoveria maior conforto para COPOM reduzir SELIC!

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Semana passada, apontamos que haviam sinais no comportamento do preço da moeda americana no nosso mercado que iam além dos efeitos das intervenções do BC.

Notamos que as posições “compradas” no mercado futuro haviam sido reduzidas, o que naturalmente na reversão tinham efeito na oferta e impactavam na formação do preço.

Em matéria divulgada pela rede americana CNBC, atribuindo matéria a Reuters, na sexta feira, apontou que os fundos de hedge e especuladores nos mercados futuros dos Estados Unidos se voltaram agressivamente contra o real na semana mais recente, construindo sua maior aposta em 5 anos em queda, conforme os números daquele dia. Segundo a matéria, os dados semanais da US Commodity Futures Trading Commission mostraram que as posições “vendidas” deles em reais em 10 de setembro era de 34.732 contratos cerca 23.804 contratos a mais que a semana anterior. Isto marcou o maior deslocamento semanal contra o real desde que a CFTC começou a negociar a moeda em 2011.

Então, o que se percebe é que movimentos pontuais aqui e no exterior impactaram sobre a formação do preço da moeda americana e isto, até entendimento contrário, afetou a estratégia do BC que com vendas a vista no mercado à vista para irrigar a liquidez deste segmento e oferta de swaps cambiais reversos no mercado futuro visava dar sustentação à taxa impedindo a apreciação do real.

No nosso entender o BC/COPOM estarão mais confortáveis para promover a redução da taxa SELIC em 0,50%, na quarta feira, com o mercado mantendo cotação mais elevada do dólar, algo como R$ 4,10/4,15 de forma a conter projeções muito elevadas de depreciação cambial num momento em que o CDI tende a ajuste face à nova SELIC e assim, impactar no custo do cupom cambial, que em condição contrária poderia promover a alta mais significativa do preço do dólar, até promovendo disfuncionalidade ao torná-la mais alta do que a taxa do mercado futuro, que habitualmente é quem forma a taxa no mercado de câmbio brasileiro.

A rigor, então, se poderia esperar que a taxa cambial nesta semana retomasse a linha de depreciação do real frente ao dólar, revertendo a apreciação sinalizada na semana passada, criando melhor ambiente para que o COPOM proceda à redução da taxa SELIC.

O Brasil, como temos salientado, tem um momento bastante favorável para o corte da SELIC pois inflação em queda com IPCA projetado pelo Boletim FOCUS para o final do ano em 3,43%, em grande parte dada a inércia da atividade econômica, juros baixo com SELIC atual de 6% e projeção para o final do ano em 5,0% também pelo Boletim FOCUS havendo algumas instituições financeiras que ousam projetá-la em 4,75%, e desfruta neste momento de um CDS excelente de 119 pontos, mas na contraposição atravessa um momento inteiramente desfavorável no fluxo cambial, com reduzidas perspectivas de recuperação no curto prazo e projeções de crescimento do PIB em torno de 0,87%, aquém do necessário para restabelecer a recuperação do emprego, renda e consumo.

Mas, há entraves técnicos nem sempre perceptíveis pela grande maioria que observa o câmbio simplesmente pelo conceito de oferta e procura e imagina que é assim somente que se forma o preço.

Por isso, nos parece ser relevante neste momento que o preço da moeda americana recupere valor, inibindo assim o percentual em torno da projeção de variação cambial, assegurando a segurança no corte da taxa SELIC.

Entretanto, se isto não for alcançado não desprezamos nem a hipótese de um corte menor ou até mesmo nenhum corte da SELIC neste momento, sendo que é bastante factível que o FED americano no mesmo dia, quarta-feira, venha a reduzir algo em torno de 0,25% na taxa americana, e então aumentando o intervalo entre a taxa de juro interna e externa se vislumbre a possibilidade de ocorrer operações de “carry trade” e assim promover fluxos de recursos especulativos externos para o Brasil, atenuando a carência de fluxo cambial positivo.

Face ao ambiente predominante, entendemos que a elevação do preço da moeda americana no nosso mercado seja o mais provável, permitindo assim o corte da taxa SELIC pelo COPOM, ao mesmo tempo que agregará competitividade dos produtos brasileiros no mercado exterior, estimulando a retomada da atividade econômica de forma sútil mas que pode resultar eficiente.

Inegável que a ocorrência do ataque sobre as instalações petrolíferas sauditas no final de semana inibem o movimento dos fundos especulativos americanos da semana anterior e “contribuem” para que o dólar suba no mercado internacional e o real seja depreciado.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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