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Dólar, apreciado com fundamento frágil, pode reverter perspectivas com o Brasil!

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Estava tudo bem, 2020 o ano da redenção da atividade econômica brasileira, o PIB chegando a 2,5% com juros baixos e os pontos adversos como desemprego, renda e consumo se restabelecendo gradualmente, mas de forma consistente e segura.

Perspectivas otimistas predominavam!

Agora, mal o ano se inicia e o “será” pode se transformar em “seria”, este é o risco, pois a distância entre a euforia e o desânimo não é tão grande quanto se imagina.

Inflação de dezembro forte e impacto contundente na inflação IPCA anual, acenderam o sinal de alerta, e então uma disparada no preço do dólar, que ficou “meio largado” ao início do ano, como se a autoridade monetária o desejasse com preço mais elevado, e a preocupação neste vácuo ganha corpo e é sabido que para o ânimo do país “entrar em depressão” não precisa de muito esforço dado o passado recentíssimo.

O dólar, termômetro mais sensível do quadro econômico, após divagar pelos R$ 4,20 ou pouco mais, no nosso entender com uma sistêmica disfunção preservada pela estratégia de intervenção do BC, visto que o país tem reservas cambiais suficientes para manter os efeitos de carência de fluxo equalizada com oferta pontual de liquidez por parte da autoridade monetária, sem estratégias complexas que acabaram por sustentar a disfunção, por conjugar a oferta de liquidez com operações conjugadas com instrumentos derivativos mitigando os efeitos do “input” na liquidez e suas repercussões na formação do preço.

Afinal, as nossas reservas cambiais são expressivas e foram constituídas como forte escudo à preservação da liquidez e tranquilidade do nosso mercado de câmbio, mas, concomitantemente ao tempo de seu acúmulo promoveram soberba elevação da Dívida Pública visto que foram constituídas com endividamento e não com superávit fiscal ao tempo do “boom” das commodities, e agora deveriam se prestar ao reverso.

Agora face à queda do fluxo cambial teriam, inquestionavelmente, a função de prover a oferta para evitar pressões sobre a formação da taxa cambial, simples assim, sem “dar voltas” e mesclar com redução de derivativos, que não são dólar moeda, e por fim dar sustentação ao preço aviltado, mas que “derreteu” reservas mantendo o preço da moeda americana aviltado e com disfuncionalidade.

Por isso, dada a total condição do BC suprir o mercado de câmbio com cobertura “pura e objetiva” é que consideramos que a queda do fluxo cambial, ao qual caberia à autoridade equacionar com leilões, é um fraco fundamento para justificar a apreciação intempestiva do dólar.

Então, como a demanda e muita especulação persiste e o BC não cumpre ao início do ano o seu papel de prover com cobertura via leilões o mercado de câmbio, que poderiam ter dado sustentação ao preço de R$ 4,01, o que parece ter sido evitado por opção, a formação do preço fica “livre, leve e solta” no país, que diferentemente dos demais emergentes, não tem risco efetivo na questão cambial e pode, portanto, ter taxa cambial equânime com o seu “status quo”.

Difícil de entender os propósitos da autoridade monetária, BC, exatamente quando ocorreu um aquecimento da espiral inflacionária, atribuída a alta da carne, mas não somente a isto, e que tem capacidade de forte impulsão no ajuste dos preços relativos da economia.

Volatilidade no preço do câmbio fortalece a especulação, mas não estimula negócios comerciais e nem motiva investimentos, nem mesmo investimentos no mercado financeiro, acabando por criar um clima negativo face à instabilidade no câmbio, e que acaba por causar movimentos mutantes dados a inconsistência das projeções na Bovespa.

O surgimento de incertezas pode ter um forte impacto de desestímulo e afetar fortemente as perspectivas.

É tempo de observar! Há incertezas novas!!


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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