Bolsa abre em queda e dólar mantém alta; Clima político influencia negociações

Câmbio é impactado por crise política local, após comparações de Celso de Mello entre o Brasil e a ditadura de Hitler na Alemanha e atos pró e contra governo em São Paulo

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, abriu o pregão desta segunda-feira, 1º, em leve queda, apresentando oscilações e permanecendo no patamar de 87 mil pontos. Às 10h09, o Ibovespa, principal índice do mercado de capitais brasileiro, apresentava queda de 0,9%. Já o dólar abriu as negociações em alta, sendo cotado ao valor máximo do dia, R$ 5,3703, às 10h01.

Apesar de estar enfraquecida no mercado externo, a moeda estrangeira e a Bolsa sofrem influência da tensão política no País, após declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, que comparou o Brasil à Alemanha de Hitler, além dos atos pró e contra o governo Bolsonaro nesse domingo, 31, ocorridos em São Paulo.

Na última sexta-feira, 29, a moeda fechou com queda de 0,82%, cotado a R$ 5,3389. A Bolsa fechou com alta de 0,52%, aos 87.402,59 pontos.

O dólar está fraco no exterior ante divisas principais e a maioria das moedas emergentes ligadas a commodities, mas sobe ante o real em meio à subida do tom da crise política brasileira. No entanto, a notícia de que a China determinou a suspensão de importações agrícolas dos Estados Unidos, incluindo soja, o que representa uma ameaça ao acordo comercial sino-americano firmado em janeiro, pode beneficiar as exportações brasileiras da commodity e animar os investidores locais, em meio a perspectivas de possível aumento de fluxo comercial para o Brasil.

O economista Sidnei Nehme, da corretora NGO, avalia que a decisão chinesa beneficia o Brasil e potencializa o setor de soja, que já vem com forte desempenho e certamente ajudará o agronegócio a ancorar parte da expressiva queda que se espera no segundo trimestre. "O que pode atrapalhar são os gargalos existentes para o escoamento das exportações normalmente ruim e agora agravado pela crise do coronavirus", comenta. Mas a notícia, ele afirma, é positiva para o Brasil e cria perspectivas melhores para a balança comercial.

Ainda assim, eventual queda ante o real pode ser limitada pela piora do cenário político institucional interno e após o dólar ter acumulado recuo de 1,83% em maio. Mesmo assim, a moeda americana ainda sobe 33,08% no ano, o que mantém o real entre as divisas com pior retorno.

O decano do STF, ministro Celso de Mello, comparou o Brasil à Alemanha de Hitler e, em mensagem reservada enviada a interlocutores no WhatsApp, disse que bolsonaristas “odeiam a democracia” e pretendem instaurar uma “desprezível e abjeta ditadura”. Procurado, o ministro alegou ao Estadão/Broadcast que a manifestação foi “exclusivamente pessoal”, “sem qualquer vinculação formal ao STF”.

Já o presidente Jair Bolsonaro escreveu no sábado, no Facebook, que 'tudo aponta para uma crise', ao comentar decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que miram a família, aliados e a sua campanha presidencial em 2018. Bolsonaro destacou a notícia de encaminhamento, pelo ministro Celso de Mello, à Procuradoria-Geral da República (PGR) de um pedido de investigação contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) por crime de incitação à subversão da ordem política ou social. O "gabinete do ódio", estrutura do Palácio do Planalto responsável por fazer ataques nas redes sociais e em grupos de WhatsApp a críticos do presidente Jair Bolsonaro, entrou na mira do TCU.

Em relação aos atos pró e contra o governo Bolsonaro nesse domingo, 31, em São Paulo, dirigentes e lideranças de oposição viram com preocupação. Para eles, as polícias agiram de forma “desigual” com os manifestantes pró e contra o presidente. Outro temor é que o confronto seja justamente o que presidente gostaria de ver para radicalizar. E o fato de os atos terem sido organizados por torcidas de futebol, inclusive rivais (Corinthians e Palmeiras), foi positivo por mostrar que o desgaste de Bolsonaro transcende partidos e políticos.

Na visão de analistas do mercado, no entanto, não há risco ainda de abertura de processo de impeachment de Bolsonaro por causa da aproximação do presidente do Centrão no Congresso, mas o acirramento da crise dia a dia seguirá no radar, limitando ajustes de baixa ante o real.

O governo nomeou o chefe de gabinete do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI), Marcelo Lopes da Ponte, para a presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que tem um orçamento de R$ 29,4 bilhões neste ano. A nomeação foi publicada na edição desta segunda-feira do Diário Oficial da União (DOU). Nas últimas semanas, o governo já havia nomeado na Diretoria de Ações Educacionais do fundo um indicado do PL, sigla do ex-deputado Valdemar da Costa Neto, condenado no mensalão. Garigham Amarante Pinto, assessor do partido na Câmara, assumiu o cargo no dia 18 de abril. Além disso, Bolsonaro vai entregar o comando do Banco do Nordeste (BNB) para outro nome indicado pelo PL.

ngo na midia exame Fonte: O Estado de S.Paulo
Autor: Silvana Rocha e Luísa Laval
Link: economia.estadao.com.br/dolar-abre-em-alta-influenciado-por-clima-politico-nacional
Data de publicação: 01/06/2020

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